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Análise: O “fator Heloísa Helena” na cassação de Glauber Braga

Antiga rivalidade de ex-senadora com Arthur Lira pode reacender, caso retorne ao Congresso

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A possível cassação do deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ) acende um alerta dentro da federação PSOL-Rede e no núcleo político do governo Lula. Caso perca o mandato, o nome que deve assumir sua vaga é o da ex-senadora Heloísa Helena (Rede-RJ), figura histórica da esquerda brasileira e adversária declarada do ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

Rivalidade com a família Lira

A possível volta de Heloísa Helena à Câmara reacende um embate antigo com Arthur Lira. A rivalidade política entre os dois remonta ao início dos anos 2000, quando ela liderava as pesquisas ao Senado por Alagoas e acabou derrotada por Biu de Lira, pai de Arthur, numa campanha marcada por ataques pessoais e acusações públicas dos dois lados.

Desde então, a ex-senadora não poupou críticas à família Lira e, mais recentemente, acusou Arthur de “usar emendas parlamentares como instrumento de chantagem política”. Ela chegou a chamá-lo de “bandido” em diversas ocasiões.

Agora, ironicamente, o próprio Lira seria um dos principais articuladores da cassação de Braga, o que poderia abrir caminho para o retorno de sua antiga adversária ao Congresso. Glauber e Lira também sempre brigaram, e corre pelo Congresso que o ex-presidente da Câmara viu o “momento ideal” para atacar o rival quando este revidou os ataques do ativista do MBL, motivo do seu processo de cassação.

A preocupação também se estende ao governo Lula, onde Glauber é considerado menos problemático para a articulação política do que a ex-senadora. Integrantes da base temem que, em votações decisivas, Heloísa adote postura de confronto, como já fez no passado com o PT, do qual foi expulsa em 2003 após votar contra a reforma da Previdência no primeiro mandato de Lula.

Trajetória

Natural de Alagoas, também terra de Arthur Lira, Heloísa Helena é uma das fundadoras do PSOL, legenda pela qual disputou a Presidência da República em 2006, conquistando 6,85% dos votos — o melhor desempenho do partido até hoje em uma eleição nacional. Sua trajetória política é marcada por embates, rupturas e uma retórica afiada.

Filiada ao PT desde 1985, foi expulsa do partido por não seguir a cartilha da liderança, época em que era uma das vozes mais críticas à aproximação do PT com o centrão. Em 2013, foi suspensa pelo PSOL por apoiar a criação da Rede Sustentabilidade, partido ao qual se filiou em seguida.

Nas eleições de 2022, Heloísa trocou o domicílio eleitoral de Alagoas para o Rio de Janeiro, onde recebeu 38.161 votos para deputada federal, tornando-se a primeira suplente da federação PSOL/Rede.

Autor

  • Jornalista formado pela Universidade Católica de Brasília (UCB). Com experiência em Política, Economia, Meio Ambiente, Tecnologia e Cultura, tem passagens pelas áreas de reportagem, redação, produção e direção audiovisual.

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