Atualmente, o governo enfrenta problemas para melhorar sua popularidade, que chegou ao pior patamar em abril deste ano. O presidente Lula (PT) vem tentando reverter esse quadro por meio de medidas populistas, tendo em vista as eleições de 2026. No entanto, quanto custa para a máquina pública cada tentativa de recuperar e conquistar eleitorado? A Arko Advice calculou que, até o momento, essa busca de popularidade custará ao governo cerca de R$ 56,2 bilhões, em 2026, e R$ 60,49 bilhões, em 2027.
Tais valores levam em conta três medidas enviadas ao Congresso Nacional. A primeira é a proposta de isenção do Imposto de Renda para os que recebem até R$ 5 mil mensais, que representará uma renúncia fiscal de R$ 25,84 bilhões, em 2026, e de R$ 27,72 bilhões, em 2027. A segunda, assinada pelo presidente na última quarta-feira (21), é a medida provisória do setor elétrico. Entre outras mudanças, o texto garante gratuidade ao consumo de energia de até 80 kWh/mês. A proposta, segundo dados do Ministério de Minas e Energia (MME), custaria cerca de R$ 3,6 bilhões ao ano para o governo. Soma-se a isso o fato de a Câmara dos Deputados ter aprovado reajuste de salário para categorias de servidores públicos do Executivo. Segundo o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, a previsão de impacto financeiro aos cofres públicos é de cerca de R$ 17,99 bilhões, em 2025, R$ 26,76 bilhões, em 2026, e R$ 29,17 bilhões, em 2027, caso o reajuste também seja aprovado no Senado.
Vale lembrar que há outros projetos que o governo estuda colocar em prática. O reajuste do salário mínimo, por exemplo, proposto no Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2026, ocasionaria um aumento de R$ 44,1 bilhões nas despesas do governo, segundo a Previdência Social. Há também o crédito consignado, já em vigor. E o governo ventila a possibilidade de expansão do Vale-Gás, que, segundo apuração do InfoMoney, custaria R$ 5 bilhões ao ano, além da proposta de isenção para motoristas de aplicativos.
Caso todas essas propostas se consolidem da maneira prevista, o impacto preliminar seria de cerca de R$ 105,2 bilhões em 2026. No entanto, todo esse investimento para reconstruir a popularidade esbarra em outro componente: as polêmicas relacionando o governo à corrupção. Enquanto a máquina pública injeta dinheiro na melhoria da imagem do governo, os casos de desvio de verbas apontam para a direção contrária do que seria uma construção sólida de aprovação de mandato.
A mais recente pesquisa Atlas apontou, porém, que 50,1% dos entrevistados desaprovam o governo, contra os 53,6% registrados no mês anterior. Diante desse cenário, há uma possibilidade, portanto, de que a desaprovação do governo se reverta.

