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Análise: Novo desgaste de Fernando Haddad

Apesar da tentativa de Haddad de minimizar a revogação de alguns aumentos do IOF, o episódio indica certa falta de rumo na economia

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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), sofreu um novo desgaste político com a revogação de parte do decreto que estabelecia o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para aplicações de fundos nacionais no exterior.

Apesar da tentativa de Haddad de minimizar a revogação de alguns aumentos do IOF, afirmando que a revisão ocorreu para “evitar especulação” e que “não tem nenhum problema corrigir rotas”, o episódio indica certa falta de rumo na economia. Segundo informações divulgadas pela imprensa, o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, além de não ter sido informado previamente sobre as alterações na tributação do IOF, seria contra a medida.

O episódio não apenas gerou ruídos e aumentou a desconfiança do mercado, como também evidenciou divergências entre o pensamento nas áreas econômica e política do governo. O presidente Lula (PT), preocupado em melhorar a popularidade e de olho nas eleições de 2026, resiste em implementar medidas estruturantes, optando por ações paliativas no campo fiscal.

Este não foi o primeiro revés de Fernando Haddad. Vale recordar que, em janeiro deste ano, o Palácio do Planalto precisou derrubar a instrução normativa que estabelecia uma fiscalização do Pix, após forte repercussão negativa que chegou a atingir a imagem do governo.

Haddad também foi derrotado no fim do ano passado, quando anunciou cortes de gasto juntamente com a proposta que isenta de Imposto de Renda (IR) quem ganha até R$ 5 mil por mês. Na oportunidade, prevaleceu o entendimento de que o governo deveria amenizar o custo político ao anunciar corte de gastos. Contudo, a medida foi mal recebida pelo mercado, provocando a elevação do dólar, que chegou a ultrapassar os R$ 6,30, além de derrubar a Bolsa.

Posteriormente, a indicação de Gleisi Hoffmann (PT) para a Secretaria de Relações Institucionais também foi vista como um revés para Fernando Haddad, já que Gleisi, assim como o ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa (PT), tem o entendimento de que a política deve ditar os rumos da economia e não o inverso.

Mesmo que a revogação do decreto que aumentava o IOF não deva repercutir negativamente na popularidade de Lula, o ruído na comunicação intensifica a falta de credibilidade dos agentes econômicos no governo, tornando mais difícil uma melhora consistente dos indicadores econômicos, em especial no campo fiscal.

O decreto que aumenta o IOF faz eco às críticas de que a gestão de Haddad aumenta impostos. Não por acaso, os memes “Taxxad” voltaram a circular, fazendo com que o governo temesse a repetição do desgaste provocado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) no episódio da fiscalização do Pix, quando um vídeo de sua autoria criticando o governo teve grande engajamento nas redes sociais.

Autor

  • Analista Político da Arko Advice. Doutorando em Ciência Política na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Mestre em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Bacharel em Ciência Política (ULBRA-RS). Especialista em Ciência Política (UFRGS). Tem MBA em Marketing Político (Universidade Cândido Mendes).

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