Há grande preocupação no entorno do presidente Lula (PT) com seus índices de popularidade. As pesquisas mais recentes indicam tendência de alta consecutiva na avaliação negativa do governo. Pesquisa da AtlasIntel revelou que a desaprovação ao governo chegou a 53,7% em maio. O PoderData mostrou um índice ainda maior (31/05 a 02/06): 56%. Na Quaest (29/05 a 01/06), a taxa ficou em 57%. Desde janeiro, de acordo com a Quaest, o índice dos que avaliam que o país está indo na direção errada não para de subir. Esse índice foi de 50% para 61%. A pergunta crucial é: o pior já passou ou ainda pode piorar?
O governo trabalha com uma agenda positiva que pode gerar impacto nos índices de popularidade. Um dos itens dessa agenda é o programa Gás Para Todos, criado para beneficiar milhões de famílias. Recentemente, o governo editou uma medida provisória que pode isentar ou reduzir o preço da energia elétrica com potencial de atingir 100 milhões de pessoas. O presidente também anunciou que o governo estuda anunciar um programa de linhas de crédito para motoboys que trabalham com entregas de comida. E o governo aposta ainda que, a partir de janeiro, a isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil mensais terá um impacto positivo na popularidade do presidente, mesmo sendo uma medida já conhecida.
Mas há desafios que podem neutralizar o efeito potencial dessas medidas na opinião pública. De acordo com a Quaest, as três notícias negativas que os eleitores mais ouviram em relação ao governo foram: o desvio de recursos de aposentados do INSS (10%); corrupção (9%); e aumento de preços (9%). Em relação ao INSS, a oposição continua insistindo na instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito no Congresso, ou seja, com senadores e deputados. A instalação da CPMI é dada como certa e tem potencial para manter o governo na defensiva.
A comunicação do governo também continua ruim. De acordo com a Quaest, 51% dos entrevistados não ouviram nenhuma notícia positiva em relação ao governo. Este é um dado preocupante para o Palácio do Planalto, lembrando que houve troca no comando da Secretaria de Comunicação do Governo em janeiro justamente com a missão de melhorar essa percepção do eleitorado.
Parece haver pouco espaço para uma queda muito brusca na avaliação do governo. O presidente Lula demonstra um piso entre 30% e 35% e dificilmente a avaliação negativa do governo ficará abaixo desse patamar. Mas, para um governo que tem errado muito, ainda pode haver desgastes.

