Tendo como pautas a rejeição ao PL as Anistia e à PEC das Prerrogativas, partidos de esquerda e movimentos sociais conseguiram, após muitos anos, realizar um protesto que teve expressiva adesão de seus simpatizantes, principalmente na Avenida Paulista, em São Paulo, e na Orla de Copacabana, no Rio de Janeiro, na Praça Raul Soares, em Belo Horizonte, e em Salvador. Segundo levantamento da USP, o ato em São Paulo teve 42,4 mil pessoas. O ato da direita, no 7 de setembro, havia registrado, segundo a USP, 42,2 mil pessoas.
Segundo levantamento digital realizado pelo instituto Quaest no último sábado (20), 83% das postagens nas redes sociais foram críticas à PEC das Prerrogativas. A defesa da anistia para Jair Bolsonaro e os condenados na tentativa de golpe também é rejeitada pela opinião pública. A Quaest apontou que 11% dos entrevistados são contrários a anistia e 26% favoráveis. O AtlasIntel mostrou que 57,3% são contrários a anistia “ampla, geral e irrestrita” defendida pelo bolsonaristas. 40,6% se dizem favoráveis.
Também contribuiu para a adesão da militância de esquerda ao protesto as convocações realizadas por Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque, que realizaram um show no Rio de Janeiro, assim como a adesão de parcela importante da classe artística e da intelectualidade esquerdista. Em Salvador, por exemplo, a conta Daniela Mercury e o ator Wagner Moura participaram do ato político.
A manifestação da esquerda buscou também reforçar a defesa da narrativa da soberania, que desde o tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Brasil transformou-se na principal narrativa do governo Lula (PT). Na Avenida Paulista, em um gesto simbólico, foi aberta uma bandeira do Brasil no mesmo lugar que os simpatizantes de Jair Bolsonaro haviam aberto uma bandeira dos Estados Unidos na manifestação bolsonarista ocorrida no dia 7 de setembro.
Embora a manifestação deste domingo não traga repercussões sobre a popularidade do presidente Lula (PT), a presença de público mostra o impacto negativo da PEC das Prerrogativas na opinião pública. Essa reação, que já era perceptível no ambiente digital na semana passada, deve dificultar o andamento da matéria no Senado.
A manifestação também reforça o ambiente desfavorável à aprovação da anistia “ampla, geral e irrestrita” defendida pelo bolsonarismo, abrindo espaço para a discussão do “PL da Dosimetria”, que está sendo articulado pelo deputado Paulinho da Força (SD-SP), relator do PL da Anistia, juntamente com o deputado Aécio Neves (PSDB-MG) e o ex-presidente Michel Temer (MDB).

