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Análise: Mais dúvidas que certezas na sucessão presidencial

Uma delas é: quem o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) apoiará, caso não consiga reverter a condição de inelegibilidade (cenário mais provável)? Lula vai recuperar sua popularidade?

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Existem muitas dúvidas sobre a sucessão presidencial de 2026. Uma delas é: quem o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) apoiará, caso não consiga reverter a condição de inelegibilidade (cenário mais provável)? Até agora, mesmo inelegível, ele diz que irá concorrer. Alguns nomes cotados são o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), um dos filhos do próprio ex-presidente, o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD).

Outra dúvida importante é se Lula vai recuperar sua popularidade ou se, diante de um cenário econômico mais turbulento, em especial no cenário internacional, sua imagem sofrerá ainda mais impactos negativos.

Como consequência, outra dúvida surge. Lula teria disposição de concorrer mesmo que a sua popularidade caísse a patamares perigosos, colocando em risco a chance de reeleição? Os questionamentos em relação à saúde do presidente também são frequentes, embora neste momento ele demonstre estar em plenas condições físicas de tentar um novo mandato.

E, caso Lula continue com desempenho ruim nas pesquisas, será que ele adotaria medidas populistas com impacto fiscal relevante apenas para garantir um novo mandato? E, se não concorrer, quem seria seu sucessor entre os ministros Fernando Haddad (Fazenda), Gleisi Hoffmann (Secretaria de Relações Institucionais) e Camilo Santana (Educação)?

Apesar de todas as incertezas a cerca de 18 meses da eleição, algumas questões parecem bem claras. Uma delas é a de que o PT, com ou sem Lula, apresentará uma candidatura muito competitiva. Dificilmente Lula ou um candidato apoiado por ele obteria menos de 35% das intenções de voto numa corrida eleitoral. Outra certeza é a de que a liderança de Bolsonaro continuará muito forte. Ou seja, um candidato apoiado por ele, ainda que possa carregar uma rejeição alta, parte de um índice de intenção de voto bastante expressivo (superior a 25%).

Como resultado dessas duas constatações, o espaço para uma terceira via fica reduzido. Entre possíveis pré-candidatos fora dos campos petista e bolsonarista, nenhum empolgará o eleitor sem o apoio de uma das duas principais lideranças políticas do país. Em resumo: os governadores Eduardo Leite (PSDB-RS), Ronaldo Caiado (União-GO), Romeu Zema (Novo-MG) e Ratinho Júnior (PSD) não ameaçam o rompimento da polarização que temos hoje no país.

Autor

  • Vice-presidente e sócio da Arko Advice desde 1999, mestre em Ciência Política pela UnB, professor, palestrante e editor-chefe do "Cenários Políticos" e "Política Brasileira".

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