As duas principais lideranças políticas do país, o presidente Lula (PT) e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), passam por seus piores momentos e, por essa razão, antecipam as discussões em torno da sucessão de 2026.
De um lado, Lula está vendo sua popularidade atingir o patamar mais baixo desde que assumiu a Presidência da República pela primeira vez, em 2003.

De outro lado, Bolsonaro tem visto sua situação jurídica ficar ainda mais complicada após a apresentação de denúncia pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por envolvimento em suposta tentativa de golpe de Estado em 2022. A expectativa é de que a análise pelo Supremo Tribunal Federal (STF) seja concluída até o fim do ano.
Para recuperar a popularidade, Lula aposta na melhora da comunicação do governo e em algumas medidas para estimular a economia, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês, o vale-gás e o crédito consignado para o setor privado. Também torce para um crescimento maior da economia este ano, ao contrário das projeções realizadas pelo mercado.
Já Bolsonaro tem se voltado para o Congresso Nacional, na tentativa de viabilizar a aprovação da anistia para os envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023 em Brasília, o que também poderia beneficiá-lo. Aposta ainda em mudanças na Lei da Ficha Limpa, entre as quais a redução da inelegibilidade de oito para dois anos. Por ter sofrido uma condenação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ex-presidente está inelegível até 2030.
Apesar das dificuldades enfrentadas por ambos, Lula e Bolsonaro continuam registrando os maiores índices de intenção de voto em relação a outros possíveis candidatos à Presidência, conforme mostram as pesquisas de opinião. Entretanto, começam a surgir especulações em torno de nomes alternativos para 2026.
No entorno de Lula, os debates a respeito de um possível sucessor são mais contidos. Mas os nomes de Fernando Haddad (Fazenda), Camilo Santana (Educação) e Jaques Wagner (senador) são lembrados. No campo bolsonarista, o nome do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), é o mais forte. Mas há outros, como o do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o da ex-primeira dama Michelle Bolsonaro (PL).
Considerando o quadro atual, o mais provável é que Lula concorra (o PT não tem um nome melhor) e Bolsonaro tenha de buscar um nome para substituí-lo, dado que a chance de reversão de sua inelegibilidade é pequena.

