A Arko Advice realizou um estudo por meio do cruzamento dos votos totais do presidente Lula (PT) e os do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições de 2022 na Bahia (BA); Goiás (GO); Minas Gerais (MG); Pernambuco (PE); Rio Grande do Sul (RS); Rio de Janeiro (RJ); São Paulo (SP); e Paraná (PR), estados em que o instituto Quaest divulgou pesquisas na semana passada e que concentram cerca de 67% do eleitorado nacional.
A Arko cruzou a votação de Lula, considerando os votos totais, com a aprovação do governo e a intenção de voto da pesquisa Quaest. Em relação a Bolsonaro, seus votos totais foram comparados com a desaprovação do governo Lula e a intenção de voto no ex-presidente hoje. Também foi avaliado o desempenho dos presidenciáveis da oposição mais competitivos nos oito estados.
Os principais resultados encontrados foram:
- Lula, comparado ao segundo turno de 2022, melhorou seu desempenho nos oito maiores colégios eleitorais do país;
- Jair Bolsonaro ficou com o desempenho estável;
- A intenção de voto em Lula hoje é similar à aprovação do governo;
- A intenção de voto em Bolsonaro é inferior à desaprovação ao governo Lula; e
- Nenhum dos quatro principais pré-candidatos da oposição – Michelle Bolsonaro (PL); Flávio Bolsonaro (PL); Tarcísio de Freitas (Republicanos); e Ratinho Júnior (PSD) – consegue capitalizar o fato de a desaprovação a Lula superar a aprovação: 51% a 46%.
Na comparação com o segundo turno de 2022, Lula avançou nos oito estados (ver Tabela 1): BA (+8,96%); GO (+2,2%); MG (+2,41%); PE (+10,1%); RJ (+6,12%); RS (+7,68); SP (+6,5%2); e PR (+4,01%). Por outro lado, agregou poucos eleitores além dos que aprovam seu governo. Não por acaso, a diferença entre a aprovação do governo e sua intenção de voto é similar: BA (+3,0%); GO (0%); MG (0%); PE (-1%); RS (+3%); RJ (+1%); SP (6%); e PR (-1%).
Quanto a Jair Bolsonaro, quando comparamos seu desempenho no segundo turno de 2022, considerando os votos totais nesses estados, com sua intenção de voto hoje, o resultado ficou estável na maioria desses colégios eleitorais.
As variações de Bolsonaro ficaram, à exceção de Goiás, dentro da margem de erro da pesquisa, que é de dois pontos percentuais para mais ou para menos: BA (+0,12%); GO (+8,23%); MG (+1,72%); PE (+1,86%); RS (+1,99%); RJ (+0,54%); SP (-0,33%); e PR (+0,90%).
No entanto, quando se compara a desaprovação ao governo Lula com a intenção de voto em Jair Bolsonaro, constata-se que a desaprovação a Lula é capitalizada apenas parcialmente por Bolsonaro (ver Tabela 2): BA (-18%); GO (-15%); MG (-20%); PE (-10%); RS (-21%); RJ (-20%); SP (-24%); e PR (-15%).
A Arko Advice também analisou o desempenho de quatro potenciais candidatos presidenciais da oposição nesses oito estados. Escolhemos Tarcísio, Ratinho, Michelle e Flávio, pois, considerando a taxa de conversão de votos – cálculo realizado levando-se em conta quem poderia votar neles dividido pelo percentual de eleitores que os conhecem –, eles possuem o maior potencial eleitoral, já que Jair Bolsonaro está inelegível. O potencial eleitoral de Tarcísio atingiu 40,90%, seguido pelo de Ratinho (38,88%); Michelle (37,80%); e Flávio (28,57%). O potencial eleitoral de Lula atingiu 47%. Apesar de Tarcísio, Ratinho e Flávio terem um desempenho melhor em seus redutos eleitorais (respectivamente, SP, PR e RJ,) suas intenções de voto são parecidas nos oito estados pesquisados .
É interessante observar que a intenção de voto em Michelle, Flávio, Tarcísio e Ratinho é inferior aos índices de desaprovação do governo Lula nos oito estados pesquisados.
As constatações encontradas pela Arkosugerem que, neste momento, o cenário pré-eleitoral da sucessão de 2026 passa por um paradoxo. Ou seja, mesmo com a desaprovação do governo Lula superando a aprovação, principalmente nos estados que concentram, juntos, mais de 100 milhões de eleitores, a oposição não consegue transformar em votos a insatisfação de parcela importante do eleitorado com o governo.

