A decisão de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) de licenciar-se do mandato de deputado federal e permanecer nos Estados Unidos, onde já se encontra desde o fim de fevereiro, gera consequências no debate político.
Em um vídeo gravado nas redes sociais, Eduardo afirmou que se “licenciou do cargo para que possa se dedicar integralmente a buscar as devidas sanções aos violadores de direitos humanos”. De acordo com ele, nos Estados Unidos poderá “buscar as justas punições que Alexandre de Moraes e a Gestapo da Polícia Federal merecem”.
O discurso de Eduardo está alinhado com a narrativa da manifestação bolsonarista contra o Supremo Tribunal Federal (STF). O objetivo é fortalecer o discurso de que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), seu pai, seria alvo de “perseguição política” por parte do Supremo, em especial por meio do ministro Alexandre de Moraes. Na manifestação realizada no Rio de Janeiro no último dia 16, Jair Bolsonaro afirmou que “eleição sem ele é negar a democracia”.
Com bom trânsito no governo Donald Trump e na “nova direita” no plano nacional, Eduardo já começou a buscar sanções contra Moraes nos Estados Unidos. Na última quinta-feira (20), as deputadas americanas Maria Elvira Salazar e Rich McCormick, do Partido Republicano, enviaram uma carta a Trump pedindo que Moraes seja punido com a Lei Magnitsky, que proíbe a entrada dos sancionados nos Estados Unidos e impede transações financeiras com empresas e cidadãos americanos.
Por meio de iniciativas como essa, Eduardo Bolsonaro trabalhará para internacionalizar os embates com o STF e Moraes e mobilizar a base social bolsonarista. A estratégia é estabelecer uma disputa de narrativas que repercuta no Brasil em meio ao debate que existente no Congresso Nacional sobre anistia aos envolvidos nos atos antidemocráticos ocorridos em Brasília em 8 de janeiro de 2023. Eduardo também continuará realizando lives e vídeos nas redes sociais direcionados aos seguidores do bolsonarismo para denunciar o que chama de “perseguição política”.
Na semana passada, Eduardo afirmou que poderá até mesmo permanecer nos Estados Unidos após o fim do prazo de quatro meses de sua licença. Entretanto, a possibilidade de ele voltar antes disso não deve ser descartada. Além de ter boas chances de se eleger senador por São Paulo em 2026, não devemos desconsiderar a possibilidade de Eduardo Bolsonaro concorrer ao Palácio do Planalto ou, eventualmente, compor uma chapa como vice-presidente no campo da direita.

