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Análise: Governo enfrenta os desafios do presente com a agenda do passado

Nesta semana, governo enviará ao Congresso Nacional projeto que isenta imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil.

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Pressionado pelo aumento da inflação, já que o IPCA subiu 1,31% em fevereiro – a maior elevação para o mês desde 2003 – e pela queda de popularidade, o governo Lula (PT) aposta na injeção de recursos na economia para enfrentar o cenário adverso.

Na semana passada, foi anunciada uma linha de crédito consignado para os
trabalhadores com carteira assinada do setor privado justamente com o objetivo de estimular a economia. Antes disso, já haviam sido anunciadas as seguintes medidas: 1) o programa Pé-de-Meia; 2) o aumento do número de remédios gratuitos na Farmácia Popular; 3) e a liberação do saldo bloqueado do FGTS.

Nesta semana, o governo enviará ao Congresso Nacional o projeto que isenta do pagamento de Imposto de Renda (IR) quem recebe salário até R$ 5 mil. Outra pauta central do governo é a ampliação do Vale-Gás.

Também foram anunciadas medidas para amenizar o impacto da inflação sobre os alimentos. Foram zerados, por exemplo, os impostos de importação sobre carne, café, açúcar, milho, óleo de cozinha, azeite, massas, bolachas e biscoitos, óleo de girassol e açúcares de cana.

Lula buscar recuperar a popularidade junto à sua base mais fiel – os segmentos mais pobres da população. Na semana passada, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), reforçou a opção política do governo de tentar reconquistar o apoio
a Lula entre os mais pobres afirmando que novos ajustes fiscais não serão uma pauta do governo nas negociações com o Congresso.

Trata-se de um cenário bastante desafiador. Segundo a pesquisa Ipsos-Ipec divulgada na última quinta-feira (13), a avaliação negativa (“ruim/péssimo”) do governo subiu
para 41%. A avaliação positiva (“ótimo/bom”), de outro lado, caiu para 27%. O índice “regular” ficou em 30%.

Na divisão por renda, a aprovação é maior que a desaprovação apenas entre quem recebe até um salário mínimo: 50% a 45%. Nas demais faixas de renda, a desaprovação do presidente é majoritária: mais de um a dois salários (54% a 42%); mais de dois a cinco salários (59% a 36%); e mais de cinco salários (72% a 27%).

Por ora, Lula continua apostando em enfrentar os complexos desafios do presente com uma agenda econômica do passado, olhando mais para os governos Lula 1 e 2 do que para o futuro. Perdendo popularidade em segmentos expressivos do eleitorado, trata-se de uma aposta de elevado risco.

Autor

  • Analista Político da Arko Advice. Doutorando em Ciência Política na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Mestre em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Bacharel em Ciência Política (ULBRA-RS). Especialista em Ciência Política (UFRGS). Tem MBA em Marketing Político (Universidade Cândido Mendes).

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