Desde meados de 2015, quando a direita retomou o protagonismo na política nacional, os símbolos nacionais foram hegemonizados pelo bolsonarismo. Além da bandeira brasileira, o discurso nacionalista faz parte da narrativa da direita. Nas campanhas presidenciais de 2018 e 2022, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) explorou bastante o verde e o amarelo, além do slogan “a nossa bandeira jamais será vermelha”.
Enquanto isso, a esquerda vem cometendo o equívoco de não disputar nem a narrativa nem a estética dos símbolos nacionais. Mais do que isso: ao apostar no vermelho, tradicional cor da esquerda, o PT foi ficando isolado.
Com o publicitário Sidônio Palmeira agora à frente da Secretaria de Comunicação Social (Secom), o governo Lula esboça uma tentativa de reação. Recentemente, o governo foi eficiente ao lançar o slogan “O Brasil é dos brasileiros”, escrito em um boné de cor azul e utilizado por ministros e parlamentares governistas. Numa resposta a esse movimento, a oposição apostou na utilização de um boné com a frase “Comida barata novamente, Bolsonaro 2026”, explorando o desgaste que a elevada inflação no preço dos alimentos provoca na imagem de Lula.
A aposta no slogan “O Brasil é dos brasileiros” deve marcar uma inflexão na estratégia comunicacional do Planalto. Para celebrar os dois anos do governo Lula, Sidônio Palmeira pretende divulgar uma mensagem nacionalista, estimulando o orgulho da população pelo Brasil.
No curto prazo, o movimento realizado pelo Palácio do Planalto não deve trazer ganhos imediatos, já que os símbolos nacionais estão associados ao bolsonarismo e ao campo da direita. Entretanto, ao estabelecer uma disputa com o bolsonarismo em torno dessa narrativa, o governo indica que a pauta nacionalista fará parte de sua estratégia de comunicação.
Também é possível que o governo explore a simpatia dos bolsonaristas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que está aplicando tarifas que afetam as exportações brasileiras. O objetivo seria apontar essa contradição da oposição.

