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Análise: Gleisi Hoffmann e o apoio reafirmado à pauta econômica de Haddad

Gleisi faz acenos a Haddad, mas desconfiança do mercado persiste

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A insistência em reafirmar o apoio de Gleisi Hoffmann à pauta econômica de Fernando Haddad (PT) revela mais do que uma tentativa de unificação do discurso governista. Na prática, essa repetição excessiva sinaliza justamente o oposto: uma desconfiança latente dentro do próprio governo e, consequentemente, no mercado.

O episódio mais emblemático ocorreu durante a posse da presidente do PT, quando ela interrompeu seu discurso para se dirigir diretamente a Haddad e garantir apoio irrestrito à política econômica. O gesto, que deveria reforçar a coesão interna, acabou evidenciando que, se o alinhamento fosse natural e consolidado, declarações desse tipo seriam desnecessárias — e, certamente, não precisariam ser reiteradas em diversas ocasiões.

Reiterações que reforçam incertezas

A necessidade de reafirmação ficou ainda mais evidente na recente entrevista da ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB), à jornalista Míriam Leitão, na GloboNews. Quando um governo sente a necessidade de reforçar constantemente sua unidade em torno de um tema sensível como a política econômica, o recado ao mercado é claro: as dúvidas persistem.

O esforço para convencer da adesão de Gleisi à pauta de Haddad esbarra no histórico recente do próprio PT. Em dezembro de 2023, sob a liderança da presidente do partido, a legenda aprovou uma resolução criticando as políticas de contenção de gastos da Fazenda, classificando-as como um “austericídio fiscal” do qual o Brasil deveria se libertar. Aliados de Gleisi argumentam que o documento refletia uma decisão do diretório nacional do PT, e não necessariamente uma posição pessoal da dirigente. No entanto, o fato de ela ter endossado o conteúdo reforça as incertezas.

Impacto no mercado e desconfiança persistente

O mercado, atento a sinais de inconsistência política, tende a reagir com cautela. Enquanto o apoio de Gleisi à agenda econômica de Haddad não se traduzir em atitudes concretas e engajamento real, a desconfiança permanecerá. A insistência em reafirmar a coesão interna não é suficiente para dissipar as dúvidas. Pelo contrário: acaba reforçando a percepção de que, dentro do próprio governo, o alinhamento ainda não é um fato consumado.

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