O presidente Lula (PT) continua perdendo capital político. Pesquisa Genial/Quaest (02/04) mostrou que a aprovação do governo voltou a cair e atingiu o pior patamar desde o início da gestão, em janeiro de 2023. O índice de desaprovação, que era de 49% em janeiro deste ano, passou para 56% em março. A aprovação, por sua vez, baixou de 47% para 41%. E Lula (PT) está perdendo apoio até mesmo em redutos eleitorais tradicionais. No Nordeste, por exemplo, a desaprovação cresceu 9 pontos nos últimos dois meses, atingindo 46%; a aprovação (52%), embora ainda supere a desaprovação, caiu 7 pontos no período.
Lula fez alguns movimentos nos últimos meses que ainda não se traduziram em resultado. Em fevereiro, por exemplo, Sidônio Palmeira, novo ministro-chefe da Comunicação Social, assinou a MP nº 1.290/25, disponibilizando cerca de R$ 12 bilhões do FGTS para cerca de 12,2 milhões de trabalhadores. Em março, publicou a MP nº 1.292/25, sobre crédito consignado para o setor privado. Durante viagem ao Japão, onde foi acompanhado dos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), Lula prometeu manter mais diálogo com os aliados e retomar a Reforma Ministerial.
Na semana passada, participou de um evento em Brasília considerado praticamente um programa eleitoral ao vivo, chamado “O Brasil Dando A Volta Por Cima”. Mais iniciativas estão a caminho. O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, apresentará nos próximos dias ao deputado Hugo Motta Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata da segurança pública no país, tema que está entre as principais preocupações do eleitorado.
O fato é que a maior parte da população continua sentindo o impacto da alta dos preços. Ainda que o desemprego esteja baixo, a sensação é de que não há melhora significativa na vida das pessoas. Combinado a isso, Lula ainda carece de uma marca para seu terceiro mandato. Requentar programas antigos não tem sido suficiente.
Apesar de todos os problemas, a pesquisa Genial/Quaest indica que Lula continua bem posicionado nas pesquisas de opinião. O apoio cativo de cerca de 35% da população, o controle da máquina federal e a falta de espaço para o surgimento de uma terceira via na política o colocam, naturalmente, em uma posição muito competitiva em 2026. As chances de Lula podem aumentar ou diminuir, a depender também de quem o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) irá apoiar como candidato presidencial no próximo ano. Algumas opções no cardápio unem mais o centro e a direita do que outras.

