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Análise: Eduardo Bolsonaro presidenciável?

Capa da Veja, Eduardo Bolsonaro adotou na entrevista um discurso de pré-candidato

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A entrevista concedida pelo deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) à revista Veja da última semana, afirmando que tem interesse em disputar a Presidência se essa for “uma missão” dada a ele por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), evidencia uma divisão no bolsonarismo para as eleições de 2026.

Na entrevista, Eduardo, que está morando nos Estados Unidos, emitiu recados importantes. Ao ser questionado sobre a possibilidade de o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), concorrer ao Palácio do Planalto, ele disse que vê Tarcísio mais inclinado a buscar a reeleição. Sobre a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), Eduardo enalteceu sua baixa rejeição e o seu bom trânsito no eleitorado evangélico, mas afirmou que acredita que seu pai, que está inelegível, conseguirá concorrer.

Capa da Veja, Eduardo Bolsonaro, que na semana passada viu ser aberto contra ele um inquérito pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), por supostamente coagir autoridades brasileiras nos Estados Unidos, adotou na entrevista um discurso de pré-candidato. Apesar de a narrativa bolsonarista defender para a opinião pública que o candidato da direita à Presidência em 2026 será Jair Bolsonaro, a possibilidade de isso ocorrer é cada vez menor, o que gera uma disputa dentro da direita.

Atuando nos bastidores da política americana para que o governo Donald Trump implemente sanções contra Moraes, proibindo sua entrada nos Estados Unidos, Eduardo poderá ganhar força no bolsonarismo como pré-candidato se sua atuação internacional contra o STF for politicamente bem-sucedida. Caso Moraes seja punido, Eduardo poderá se transformar no preferido de Jair Bolsonaro, que tem, no confronto com o STF, o mote de sua atuação política.

Eduardo precisa reassumir o posto de deputado até 19 de julho. Caso isso não ocorra, perderá o mandato. No entanto, isso não o impede de, por exemplo, sair candidato a presidente, mesmo estando fora do país. Porém, o desejo de Eduardo de disputar o Planalto poderá dividir ainda mais o campo da direita, já que é improvável que uma eventual candidatura sua a presidente unifique as forças anti-Lula. Mesmo que não concorra ao Planalto, Eduardo, através de uma movimentação internacional contra o STF, fortalece sua pré-candidatura ao Senado por São Paulo.

Hoje, além de Michelle e Tarcísio, os governadores Ronaldo Caiado (União Brasil-GO), Romeu Zema (Novo-MG) e Ratinho Jr. (PSD-PR) despontam como alternativas da direita para o Planalto, assim como Eduardo Bolsonaro.

A insistência de Jair Bolsonaro em viabilizar sua candidatura, combinada com a movimentação de Eduardo e Michelle, pode indicar que a família Bolsonaro não abrirá mão de ser protagonista em 2026, o que poderá criar obstáculos a um eventual projeto nacional unificado da centro-direita.

Autor

  • Analista Político da Arko Advice. Doutorando em Ciência Política na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Mestre em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Bacharel em Ciência Política (ULBRA-RS). Especialista em Ciência Política (UFRGS). Tem MBA em Marketing Político (Universidade Cândido Mendes).

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