O União Brasil apresenta uma estrutura interna dividida, com grupos que apoiam o governo e grupos que apoiam a oposição. Ao ocupar espaço nos dois lados da polarização política, o partido se posiciona como um ator estratégico no cenário nacional. Sua bancada na Câmara dos Deputados é a terceira maior, e, embora conte com menos senadores, tem entre seus membros uma figura de peso: o senador Davi Alcolumbre (AP), presidente do Congresso. Além disso, o partido administra quatro governos estaduais, cinco capitais e várias cidades relevantes.
Com toda essa musculatura, o União Brasil vislumbra a possibilidade de lançar um projeto próprio para a eleição presidencial do próximo ano. Um passo inicial foi dado com o anúncio da pré-candidatura do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, mas a iniciativa não conquistou amplo apoio entre os correligionários. O principal nome a apoiar o projeto até agora foi o do ex-prefeito de Salvador (BA) ACM Neto.
A proposta de lançar uma candidatura presidencial própria enfrenta resistência interna tanto por parte dos aliados do governo Lula quanto por parte dos que se alinham ao bolsonarismo. Disputado pelos dois campos, o partido ainda não consolidou uma maioria em torno de nenhuma das opções: lançar Caiado, apoiar a reeleição do presidente Lula (PT) ou se unir ao candidato bolsonarista.
A federação com o PP é outro ponto de tensão. Apesar de a aliança estar próxima de ser firmada, entraves regionais e a exigência de alinhamento nacional dificultam a consolidação do acordo. Caso a federação se concretize, qualquer decisão sobre a participação em uma coligação presidencial terá de contar com o aval de ambos os partidos – algo que parece improvável, seja para formar uma chapa própria, seja para apoiar outro candidato.
Esse cenário de divisão dificulta que o União Brasil feche questão em torno de um único nome, abrindo caminho para que cada ala apoie o candidato de sua preferência. Tal fragmentação, por sua vez, favorece os planos de reeleição de Lula, que busca manter o apoio da ala governista do partido. A substituição do ministro Juscelino Filho (MA) pelo deputado Pedro Lucas Fernandes, líder da bancada na Câmara e também do Maranhão, reforça essa estratégia, ao preservar o espaço da sigla no governo. Além dos três ministros do União na Esplanada, Davi Alcolumbre tem sido um grande aliado do governo, podendo desempenhar um papel relevante como articulador político pró-Lula.
Assim, qualquer que seja o caminho escolhido pelo União Brasil, a sigla terá peso significativo no resultado das eleições do próximo ano. Mais do que isso, o partido será peça essencial para a estabilidade política do futuro governo, dado o seu foco em manter uma presença robusta no Congresso.

