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Análise: Cresce a instabilidade política

O ambiente de instabilidade institucional é negativo para o governo

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A prisão domiciliar de Jair Bolsonaro (PL), decretada no último dia 4 pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), injetou mais um fato no cenário de instabilidade que o país atravessa. Com a prisão, os aliados do ex-presidente conseguiram impor a narrativa da “perseguição política”, sobretudo porque a decisão de Moraes decorreu do fato de Bolsonaro ter aparecido nas redes sociais de aliados durante a manifestação de apoio a ele realizada no dia 3 de agosto em várias cidades, o que, de acordo com as medidas cautelares, estava proibido.

Além de mobilizar o bolsonarismo em torno da narrativa da “perseguição”, líderes do centro, como o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), criticaram a prisão. Também partidos, como o União Brasil e o PP, aderiram à ocupação das presidências da Câmara e do Senado realizada por parte dos deputados mais fiéis ao bolsonarismo.

O bolsonarismo conseguiu ainda reunir 41 assinaturas de senadores com o objetivo de tentar viabilizar o pedido de impeachment de Alexandre de Moraes. Além de pautar a agenda política, a mobilização bolsonarista teve êxito em deixar em plano secundário o impacto negativo da entrada em vigor do tarifaço imposto contra o Brasil pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fato que, nas semanas anteriores, havia servido de combustível para o presidente Lula (PT) se apropriar da pauta de defesa da soberania.

Embora a ofensiva do bolsonarismo tenha equilibrado o duelo de narrativas com o governo, também há desgastes para a oposição. Ao bloquear os trabalhos no Congresso com uma agenda que agrada essencialmente aos simpatizantes de Jair Bolsonaro, a oposição pode ser acusada de ter optado por uma ação radical que causa mais prejuízos ainda à imagem de aliados mais próximos do ex-presidente.

O governo Lula evitou comentar a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro, principalmente após a direita ter demonstrado capacidade de mobilização, mas há sinais de alerta para o Palácio do Planalto. Embora o bloqueio do Congresso tenha cessado, a possível prisão de Jair Bolsonaro em regime fechado – o que deve ocorrer se o ex-presidente for condenado no inquérito da tentativa de golpe de Estado – poderá provocar novos eventos como os da semana passada, causando prejuízos ao andamento da pauta econômica.

Mesmo sendo improvável que a agenda da anistia prospere no Congresso, bem como o impeachment de Moraes, o ambiente de instabilidade institucional é negativo para o governo, já que Lula necessita recuperar popularidade. A esses eventos somam-se eventuais novas sanções econômicas impostas por Donald Trump, aumentando a pressão sobre Lula. Na última sexta-feira (08), o Itamaraty convocou o encarregado de Negócios da Embaixada dos EUA, Gabriel Escobar, após a representação americana no Brasil fazer ameaças aos ministros do STF.

Autor

  • Analista Político da Arko Advice. Doutorando em Ciência Política na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Mestre em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Bacharel em Ciência Política (ULBRA-RS). Especialista em Ciência Política (UFRGS). Tem MBA em Marketing Político (Universidade Cândido Mendes).

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