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Análise: Comunicação é o maior desafio de Lula em 2026

O PT foi muito hábil na batalha da comunicação lançada contra Geraldo Alckmin em 2006, mas agora, age de forma analógica em um mundo digital

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O governo Lula aposta em uma série de medidas para recuperar popularidade. Uma medida provisória está prestes a ser editada tratando, entre outros pontos, da isenção das contas de luz de 60 milhões de brasileiros, por meio da Tarifa Social de Energia Elétrica. Outra medida de grande alcance social, o Gás para Todos, é uma nova iniciativa para auxiliar as famílias de baixa renda no acesso ao gás de cozinha.

A partir de 1º de janeiro do próximo ano, o salário mínimo sobe dos atuais R$ 1.518 para R$ 1.630. Um aumento expressivo que leva em conta a inflação mais a variação do PIB de 2024, limitada a 2,5% de acordo com o arcabouço fiscal. Outro ponto é que a partir de janeiro quem ganha até R$ 5 mil mensais terá isenção de Imposto de Renda. Isso pode beneficiar cerca de 10 milhões de contribuintes – um contingente expressivo. O governo, conforme pronunciamento do presidente Lula (PT) no Dia do Trabalho (1º/05), tem sinalizado apoio à proposta que trata da revisão da jornada de trabalho 6×1.

Essas medidas, uma vez implementadas, podem fazer com que o presidente Lula (PT) recupere o apoio até mesmo na própria base, que, de acordo com pesquisas recentes, tem sofrido uma redução.

O governo também se prepara contra potenciais adversários em 2026. Há informações de que o Palácio do Planalto já está guardando material para usar na campanha do próximo ano, que tende a ser, mais uma vez, fortemente impactada pelas mídias sociais. Portanto, não basta apenas ter uma agenda com forte apelo popular e informações contra seus aliados. Saber usar e ter condições de propagar tais informações com rapidez é fundamental. E, nessa seara, o governo parece ainda patinhar.

A oposição, em especial o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), tem conseguido gerar bastante incômodo ao Palácio do Planalto. Apenas neste primeiro semestre, vale lembrar dois episódios. O primeiro foi quando o governo alterou a regra do Pix e o deputado lançou um vídeo em que afirmava que o governo poderia taxar essa popular modalidade de transferência de recursos. O vídeo viralizou nas redes e o governo foi obrigado a recuar. Agora, mais um vídeo do deputado Nikolas Ferreira, desta vez tratando do desvio de recursos de aposentados e atribuindo-o à gestão atual, fez o governo sentir o golpe. E, de novo, não conseguiu reagir. O vídeo do deputado teve mais de 100 milhões de visualizações.

O PT foi muito hábil na batalha da comunicação lançada contra Geraldo Alckmin em 2006 (privatização da Eletrobras) e em 2014 contra Marina Silva (autonomia do Banco Central). Mas o partido parece não saber mais lidar com a nova realidade. Ainda age de forma analógica em um mundo digital.

Autor

  • Jornalista carioca em Brasília, com experiência em cobertura econômica e política. Formação pela PUC-Rio, com passagem pela CNN Brasil na áreas de produção de videorreportagem.

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