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Análise: Bolsonarismo mostra força, mas não altera situação de Jair Bolsonaro

Mesmo inelegível e alvo de investigações, Bolsonaro demonstra força nas ruas, reúne governadores e mantém protagonismo na direita de olho em 2026

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A manifestação realizada neste domingo (6) pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na Avenida Paulista, em São Paulo (SP), teve expressiva adesão. Estima-se que 50 mil pessoas compareceram ao ato político. A presença superou as 20 mil pessoas que participaram do ato bolsonarista realizado em 16 de março, na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro (RJ). Mesmo com o momento político e jurídico adverso pelo qual Bolsonaro está passando, o bolsonarismo tem mostrado maior capacidade de mobilização que a esquerda. Vale recordar que o ato convocado pelo deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP) para 30 de março, ocorrido também na Avenida Paulista, contou com pouco mais de 5 mil pessoas.

Em seu discurso, Bolsonaro pediu anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023, em Brasília. Chamou ao trio elétrico a mãe e a irmã de Débora Rodrigues, a cabeleireira que ficou presa por dois anos por ter pichado a estátua da Justiça, localizada em frente ao prédio do Supremo Tribunal de Justiça, nos ataques de 8 de janeiro.

Bolsonaro acusou o Judiciário de beneficiar o hoje presidente Lula (PT) na campanha de 2022, chamando de “mão pesada”. Negou que tenha o objetivo de fugir do país. Afirmou que vai “defender minha pátria com o sacrifício da minha vida”. Explorou também a narrativa da vitimização, ao dizer: “O que os canalhas querem não é me prender de verdade, é me matar. Eu sou um espinho na garganta deles. Mostrei a eles que o Brasil tem jeito. Um caipira do Vale do Ribeira chegou à Presidência. Só Deus explica como.”

A manifestação bolsonarista teve forte adesão de governadores da direita. Estiveram presentes os governadores Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Romeu Zema (Novo-MG), Jorginho Mello (PL-SC), Ronaldo Caiado (UB-GO), Ratinho Júnior (PSD-PR), Mauro Mendes (UB-MT) e Wilson Lima (UB-AM).

Desses sete governadores, quatro são pré-candidatos ao Palácio do Planalto pelo campo da direita: Tarcísio, Zema, Caiado e Ratinho. A presença deles no ato sugere um aceno político a Jair Bolsonaro, diante do cenário ruim para o eleitor da direita na sucessão de 2026.

A participação de Tarcísio, Zema, Caiado e Ratinho é uma forma de mostrar lealdade a Bolsonaro, todos de olho no capital político do ex-presidente, caso ele não seja candidato em 2026. Afinal de contas, o apoio de Bolsonaro será fundamental para definir o candidato da direita ao Palácio do Planalto no pleito do próximo ano.

A mais recente pesquisa Quaest mostrou que Jair Bolsonaro permanece como principal antagonista do presidente Lula. Com 40% das intenções de voto, Bolsonaro está tecnicamente empatado com Lula. É o único nome da direita com condições, neste momento, de derrotar o presidente.

Bolsonaro, porém, carrega uma elevada rejeição (55%), igual à de Lula. As demais alternativas eleitorais vinculadas à família Bolsonaro também carregam desgastes, além de terem menos densidade eleitoral que o ex-presidente. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) tem um potencial de 30% e rejeição de 48%. O deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL) tem potencial de 23% e rejeição de 56%.

Os números mostram que o bolsonarismo tem um piso importante de intenção de votos. No entanto, a rejeição é um obstáculo. Apesar de Jair Bolsonaro demonstrar força – sobretudo capacidade de levar às ruas um grande contingente de pessoas mesmo em meio a forte desgaste –, a pauta da anistia tem apoio minoritário.

Segundo a pesquisa do instituto Quaest divulgada neste domingo, 56% dos entrevistados entendem que os envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023 devem continuar presos por mais tempo, cumprindo pena. Já 18% acreditam que eles devem ser soltos porque nem deveriam ter sido presos. E 16% avaliam que devem ser soltos porque já estão presos por tempo demais.

Para 49% dos entrevistados, Jair Bolsonaro participou do plano da tentativa de golpe em 2023. Em dezembro passado, esse índice era de 49%. Por outro lado, 35% consideram que Bolsonaro não participou daquele plano – em dezembro, o índice era de 34%.

A Quaest mostra também que 52% consideram justa a decisão do Supremo de tornar Jair Bolsonaro réu. Já 36% entendem que a decisão é injusta. De acordo com 46%, Jair Bolsonaro será preso, mas 43% acreditam que o ex-presidente não será preso.

Com a maioria dos brasileiros se revelando contra a anistia aos presos do 8 de janeiro e entendendo que Bolsonaro teria participado do plano, a pauta da anistia, apesar do número de apoios que possui e da pressão das ruas, não deve avançar no curto prazo no Congresso Nacional.

Autor

  • Analista Político da Arko Advice. Doutorando em Ciência Política na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Mestre em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Bacharel em Ciência Política (ULBRA-RS). Especialista em Ciência Política (UFRGS). Tem MBA em Marketing Político (Universidade Cândido Mendes).

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