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Análise: Avaliação negativa de Lula é estrutural na opinião pública

Mesmo que Lula tenha prestígio nos segmentos de menor renda, a conjuntura de 2025 é distinta da de seus mandatos anteriores

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A análise da segmentação das pesquisas Ipsos/Ipec e Datafolha por renda e região mostra um cenário desfavorável para a gestão Lula 3 no que diz respeito à avaliação do governo. Neste momento, a avaliação negativa (ruim/péssimo) supera a positiva (ótimo/bom) em três das quatro faixas de renda. Mesmo na faixa de renda de até dois salários mínimos (SM), que majoritariamente é integrada pela base social lulista, temos um quadro de igualdade entre as avaliações positiva e negativa.

Na pesquisa Ipsos/Ipec, a avaliação negativa nas faixas de renda de mais de 1 a 2 SM, mais de 2 a 5 SM e mais de 5 SM supera a positiva com folgada margem. É possível constatar um forte desgaste do presidente Lula (PT) na classe média. Nos segmentos de maior renda, a insatisfação com o presidente permanece, o que não é novidade. Entretanto, diferentemente do que ocorria até o fim do ano passado, Lula não tem conseguido manter seu prestígio entre o eleitorado de menor renda.

Cenário similar é observado na pesquisa Datafolha. No segmento com renda mensal de até 2 SM, temos um quadro de igualdade entre as avaliações positiva e negativa em função da margem de erro, que é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Na faixa de renda de 2 a 5 SM, na faixa de mais de 5 a 10 SM e na faixa de mais de 10 SM, a avaliação negativa de Lula é muito superior à positiva.

Nos levantamentos do Ipsos/Ipec e do Datafolha, notamos que a avaliação negativa na classe média está hoje mais alinhada com os segmentos de maior renda. Observamos que os brasileiros de renda mais elevada e de classe média apresentam um comportamento mais próximo da avaliação do governo no país.

É possível constatar uma forte resistência ao presidente Lula na classe média. Na faixa de renda de mais de 2 a 5 SM no Ipsos/Ipec, e nas faixas de renda de 2 a 5 SM e de mais de 5 a 10 SM no Datafolha, a diferença entre as avaliações negativa e positiva de Lula gira em torno de 30 pontos percentuais, ou seja, a distância é muito significativa.

De acordo com o Datafolha, a avaliação negativa do governo também supera a positiva em três das quatro regiões do país: Sudeste (45% a 25%); Sul (49% a 22%); e Centro-Oeste/Norte (41% a 25%). A avaliação positiva está na frente da negativa apenas no Nordeste: 37% a 27%.

Cenário semelhante é observado no levantamento do Ipsos/Ipec. A avaliação negativa supera a positiva no Sudeste (47% a 23%), no Sul (48% a 19%) e no Centro-Oeste/Norte (50% a 20%). No Nordeste, a avaliação positiva prevalece sobre a negativa: 38% a 29%.

Conforme podemos observar na segmentação da avaliação do governo por regiões, o prestígio de Lula no Nordeste não é capaz, por exemplo, de compensar a fragilidade do presidente no Sudeste, a maior região do país. No Datafolha, a distância entre as avaliações negativa e positiva no Sudeste é de 20 pontos percentuais. No Ipsos/Ipec, a distância é de 24 pontos. No Nordeste, segundo o Datafolha, a avaliação positiva é apenas 10 pontos maior que a negativa. No Ipsos/Ipec, o saldo a favor da avaliação positiva é de 9 pontos.

Diante da desaprovação estrutural observada na opinião pública, Lula emite sinais de que buscará enfrentar a conjuntura adversa tendo como foco os segmentos de maior renda, que ainda podem ser recuperados. Além do expansionismo fiscal, a narrativa messiânica do presidente foi retomada. Na última quinta-feira (12), durante um ato do governo em Minas Gerais, Lula sinalizou para esse eleitorado ao afirmar: “Duvido que tenha um presidente que tenha feito metade do que eu fiz. Sou um cara agradecido a Deus. Um cara filho da dona Lindu virar presidente só pode ser milagre. Uma, duas, três vezes e, se duvidar, a quarta vez. Se preparem, este país não vai cair na mão da extrema direita.”

Mesmo que Lula tenha prestígio nos segmentos de menor renda, a conjuntura de 2025 é distinta da de seus mandatos anteriores. Além de o complexo cenário internacional impedir que o país repita a bonança econômica do período 2003-2010, a inflação pressiona a renda dos mais pobres, que demandam respostas que o governo ainda não encontrou. Por isso Lula tem se deparado com limites em ser popular reproduzindo a agenda lulista da década passada.

Autor

  • Analista Político da Arko Advice. Doutorando em Ciência Política na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Mestre em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Bacharel em Ciência Política (ULBRA-RS). Especialista em Ciência Política (UFRGS). Tem MBA em Marketing Político (Universidade Cândido Mendes).

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