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Análise: Atos pró-Bolsonaro mostram capacidade de mobilização

Foi a primeira manifestação sem a presença de Jair Bolsonaro

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Os apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) realizaram manifestações em diversas cidades o último domingo (3). As maiores concentrações ocorreram no Rio de Janeiro, em Copacabana, e São Paulo, na Avenida Paulista. O presidente Lula (PT) e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, foram os principais alvos.

Foi a primeira manifestação sem a presença de Jair Bolsonaro. Por conta das medidas cautelares impostas por Moraes, Bolsonaro não pode utilizar as redes sociais. Por isso, evitou comparecer ao ato, pois se um eventual discurso fosse compartilhado nas mídias sociais, ele poderia ser preso.

Os governadores de direita Tarcísio de Freitas (SP); Romeu Zema (MG); Ratinho Júnior (PR); e Ronaldo Caiado (GO), que são pré-candidatos ao Palácio do Planalto, não compareceram aos atos. Tarcísio não compareceu, pois realizou um procedimento médico.  Os demais optaram pela preservação após o tarifaço dos Estados Unidos contra o Brasil e a sanção contra Moraes. A ex primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) participou dos atos, assim como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Apesar das manifestações em Copacabana e na Avenida Paulista ter tido expressivas, ela reuniu majoritariamente os eleitores que já votam em Jair Bolsonaro. A dificuldade em atrair outros segmentos é consequência do aumento da rejeição do ex-presidente, indicando um isolamento do bolsonarismo.

Segundo o Datafolha, 55% rejeitam a anistia para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro; 35% aprovam. A pesquisa apontou que 55% consideram correta a decisão de Alexandre de Moraes em determinar que Bolsonaro utilize tornozeleira eletrônica; 41% discordam. Além disso, 57% avaliam que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está errado ao pedir o fim do julgamento de Bolsonaro; 36% consideram corretas as exigências.

Apesar de 50% avaliarem que Bolsonaro não está sendo perseguido; 45% entendem que sim. De acordo com a pesquisa, 48% acreditam que Bolsonaro deve ser preso; 46% avaliam que não.

Apesar do bolsonarismo ter demonstrado capacidade de mobilização, mesmo sem a presença de seu grande líder, os processos contra Jair Bolsonaro no STF não serão afetados. No Congresso, a agenda da anistia também não deve avançar.

Mesmo que Bolsonaro seja decisivo na definição do candidato que enfrentará Lula em 2026, a oposição terá um desafio complexo para lidar, já que, de acordo com o Datafolha, 61% dizem que não votariam em um candidato que prometesse livrar Bolsonaro de qualquer pena.

Trata-se de um problema que não é trivial, pois, caso venha a ser preso, Bolsonaro deve colocar na pauta seu indulto em troca do apoio ao candidato que escolher apoiar para 2026. Essa eventual exigência poderá, por exemplo, dividir a direita, ao menos no 1º turno.

Autor

  • Analista Político da Arko Advice. Doutorando em Ciência Política na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Mestre em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Bacharel em Ciência Política (ULBRA-RS). Especialista em Ciência Política (UFRGS). Tem MBA em Marketing Político (Universidade Cândido Mendes).

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