Na semana passada, o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha (PT), entregou ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), a agenda de prioridades do governo Lula para 2025-2026 (Agenda União e Reconstrução). A agenda é dividida em seis eixos: Agenda econômica para um Brasil mais justo; Estímulo ao empreendedorismo e ao investimento; Educação no centro do desenvolvimento; Protagonismo no enfrentamento das mudanças climáticas; Proteção às famílias e aos negócios no ambiente digital; e Justiça social e defesa da democracia.
Nesses eixos constam temas como reforma do Imposto de Renda, crédito consignado privado, piso nacional de educação, sanções a atividades lesivas ao meio ambiente e defesa cibernética. Ao todo, são 47 propostas. Há apenas dois projetos relacionados à segurança dentro do eixo “Justiça social e defesa da democracia”: a PEC da Segurança Pública e a Segurança nas Escolas.
Pesquisa divulgada pela AtlasIntel na semana passada apontou que o maior problema do Brasil, para 58,8% dos entrevistados, é a criminalidade e o tráfico de drogas. Vale ressaltar que essa foi a sondagem que, pela primeira vez na série histórica, mostrou que a avaliação negativa do governo (46,5%) ficou superior à positiva (37,8%), acima da margem de erro, que é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. No Datafolha, Lula apresentou seu pior desempenho histórico: 41% de “ruim/péssimo”; 32% de “regular”; e apenas 24% de “ótimo/bom”.
Também houve forte reação do governo quando a Transparência Internacional anunciou que o Brasil ficou na 107ª posição na edição de 2024 do Índice de Percepção da Corrupção (IPC). O ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Vinícius Marques de Carvalho, contestou o resultado. Para ele, a metodologia da pesquisa se compara a uma “conversa de boteco”.
Fato é que na pesquisa AtlasIntel a corrupção ocupa o segundo lugar na lista de problemas do país (49,4%). Para se ter uma ideia, o item economia e inflação apareceu em terceiro lugar, citado por 29,1% (o entrevistado podia escolher até três problemas). O resultado do déficit nas estatais divulgado no fim de janeiro, de R$ 6,7 bilhões, ajudou a reforçar a percepção na sociedade quanto à corrupção.
O governo mudou o chefe da sua Comunicação Social para, ao que tudo indica, melhorar a batalha de narrativas pela internet. Mas o problema é mais profundo e o governo parece não ter entendido isso. Para melhorar a sua popularidade, o presidente Lula (PT) precisa também apresentar propostas mais alinhadas com o sentimento geral dos eleitores.

