O 9º Encontro Nacional do partido Novo na Amcham Business Center, ocorrido em São Paulo (SP) no sábado passado (16), marcou o lançamento oficial da pré-candidatura do governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo-MG), ao Palácio do Planalto para as eleições de 2026.
Em seu discurso, Zema classificou os seguidores do lulismo, os “parasitas do Estado” e as facções criminosas como os “três maiores inimigos” do Brasil. Prometeu “varrer o PT do mapa” e acabar com “os abusos e as perseguições” do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Também criticou a “casta de privilegiados do setor público”.
No ato político em que oficializou sua pré-candidatura, Zema explorou sua trajetória empresarial, posicionou-se como outsider e apostou em uma mensagem que combinou o antipetismo a acenos à direita no campo da segurança pública. Na economia, a aposta é na agenda liberal. Entre os itens propostos, estão cortes de gastos e privatizações.
Zema foi o segundo governador a lançar pré-candidatura ao Palácio do Planalto tendo em vista as eleições do ano que vem. Em maio, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), lançou seu nome ao Planalto em evento em Salvador.
Além deles, estão posicionados no tabuleiro, embora não tenham tido pré-candidaturas oficializadas, os governadores Ratinho Júnior (PSD-PR) e Eduardo Leite (PSD-RS). Apesar de o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), sustentar que será candidato à reeleição, também ele figura como pré-candidato à Presidência.
Os movimentos dos governadores de oposição ao governo Lula (PT) têm relação com a situação jurídica do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o principal nome da direita no país. Como Bolsonaro está inelegível, os governadores com pretensões presidenciais anteciparam o lançamento das pré-candidaturas com o objetivo de marcar posição no tabuleiro.
No lançamento da pré-candidatura de Romeu Zema chamou atenção o fato de ele ter escolhido São Paulo como o local do ato político, ainda que seja governador de Minas Gerais. É possível que essa tenha sido uma sinalização a Tarcísio de Freitas, de olho em uma eventual composição que poderia unir os governadores dos dois maiores estados da Federação.
Enquanto se movimentam no cenário nacional, Tarcísio, Zema e os demais governadores aguardam o posicionamento de Jair Bolsonaro. Mesmo praticamente fora da disputa de 2026, o ex-presidente terá grande peso no rumo que a direita tomará diante da sucessão presidencial, no próximo ano. Um eventual apoio de Bolsonaro a Tarcísio, por exemplo, teria o potencial de unir a direita. Por outro lado, caso esse apoio não ocorra, a direita, ao menos no primeiro turno, deve se dividir em mais de uma candidatura.

