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Análise: A movimentação de Tarcísio após prisão de Bolsonaro

Com a conjuntura indefinida, a decisão do candidato da direita à Presidência permanece em aberto

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O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), visitou em Brasília, na quinta-feira (7), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está em prisão domiciliar. A visita não surpreende, já que o governador possui uma sólida relação política com o ex-presidente. Vale recordar que Bolsonaro, nos atos políticos que realiza em São Paulo, costuma hospedar-se no Palácio dos Bandeirantes, muitas vezes atendendo a um convite de Tarcísio.

Após o encontro com Bolsonaro, Tarcísio de Freitas foi até a casa do governador do Distrito Federal (DF), Ibaneis Rocha (MDB), onde reuniu-se com os também governadores Ronaldo Caiado (União Brasil-GO), Jorginho Mello (PL-SC), Cláudio Castro (PL-RJ), Mauro Mendes (União Brasil-MT), Romeu Zema (Novo-MG), Ratinho Júnior (PSD-PR) e Wilson Lima (União-AM). O governador Eduardo Leite (PSD-RS) não compareceu.

Além da presença de quatro governadores pré-candidatos ao Palácio do Planalto no campo da direita na casa de Ibaneis – Tarcísio, Zema, Caiado e Ratinho – chamou atenção a manifestação de Tarcísio de Freitas. Único a falar, Tarcísio definiu a escalada das tensões com os Estados Unidos como a “marcha da insensatez”. Ele afirmou que os governadores seguirão cobrando do governo Lula negociações mais efetivas com os Estados Unidos. E defendeu que “o espaço de atuação de cada Poder seja respeitado”.

Três aspectos chamaram atenção na movimentação de Tarcísio: 1) o fato de ele ter sido o “porta-voz” dos governadores; 2) o tom crítico em relação ao governo brasileiro na negociação com os Estados Unidos; e 3) a defesa da “harmonia institucional”.

Embora Tarcísio tenha acenado ao bolsonarismo através da visita ao ex-presidente, evitou abraçar pautas radicais, como a defesa do impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

Também chamou atenção a entrevista concedida pelo presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, ao jornal O Globo na última sexta-feira (08). Kassab afirmou que Tarcísio só será candidato ao Planalto se tiver “quase certeza da vitória”. Segundo Kassab, Tarcísio “está fazendo essa reflexão e, no momento certo, se manifestará”. No entanto, também destacou que Tarcísio só disputará a eleição presidencial se contar com o apoio de Jair Bolsonaro.

Com a conjuntura indefinida, a decisão do candidato da direita à Presidência permanece em aberto. A visita de Tarcísio a Bolsonaro, a movimentação dos governadores e a manifestação de Kassab sugerem que negociações estão em andamento nos bastidores buscando a construção do candidato “anti-Lula”.

Embora Tarcísio seja um nome competitivo, ao não abraçar a agenda bolsonarista em sua integralidade, ele pode ter obstáculos em viabilizar um projeto nacional, já que pode não contar com o apoio de Jair Bolsonaro.

Autor

  • Analista Político da Arko Advice. Doutorando em Ciência Política na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Mestre em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Bacharel em Ciência Política (ULBRA-RS). Especialista em Ciência Política (UFRGS). Tem MBA em Marketing Político (Universidade Cândido Mendes).

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