A denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pela tentativa de golpe de Estado provoca, naturalmente, repercussões sobre o tabuleiro de 2026, principalmente no campo da direita.
O primeiro aspecto a ser destacado é que a situação jurídica de Bolsonaro estará presente no debate eleitoral. Diante do quadro difícil do ex-presidente, o mais provável é que ele seja considerado réu, seja condenado e possivelmente preso. Contudo, Bolsonaro deverá continuar insistindo em sair candidato.
Em entrevista ao jornal O Globo na semana passada, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que Jair Bolsonaro registrará sua candidatura para as eleições presidenciais de 2026 independentemente de sua situação jurídica. Mesmo sabendo que o registro da candidatura será indeferido, ele assim manteria o discurso de que é alvo de perseguição jurídica por parte do Supremo Tribunal Federal (STF).
Caso isso ocorra, a discussão em torno do candidato de oposição ao presidente Lula (PT) no campo da direita ficaria travada. Como dificilmente Bolsonaro conseguirá reverter uma eventual condenação, surge a seguinte incógnita: quem o ex-presidente apoiaria?
Caso a opção de Jair Bolsonaro seja por alguém ligado à própria família, como sua esposa, Michelle Bolsonaro (PL), ou um dos filhos – o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) ou o senador Flávio Bolsonaro –, a direita poderá se dividir. Além disso, caso Bolsonaro postergue sua tentativa de se candidatar, isso poderá inviabilizar o nome do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que, para concorrer ao Palácio do Planalto, necessitaria se desincompatibilizar do cargo em abril de 2026.
Além disso, os governadores de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), e do Paraná, Ratinho Júnior (PSD) – além de outsiders como o cantor sertanejo Gusttavo Lima (sem partido) – podem compor uma candidatura fora da órbita do chamado bolsonarismo raiz. Entretanto, na hipótese de Tarcísio viabilizar sua candidatura presidencial por meio de um acordo com Bolsonaro, a direita poderá construir uma forte aliança de centro-direita.
De qualquer modo, a direita terá importantes desafios até 2026. Ainda que neste momento a condenação de Bolsonaro seja provável, a construção da candidatura anti-Lula nesse campo ainda está em aberto.

